fio vermelho do destino

06:41 Ísis Higino 0 Comments

eu tentei entender
esse seu castelo de areia
em que me convidava pra entrar
mesmo que a água viesse
e levasse a gente pra longe
toda vez.

era como se a onda quebrasse bem no meio em cima da gente
e o castelo tivesse que ser reconstruído
de novo
e de novo
e de novo e de novo

sentia-me assim
insustentável
mas sem leveza no ser

você também sente as palavras que a gente se disse
sendo jogadas no ar
mas de repente ficando presas na gente
pra sempre?

quão estranho é amar tanto e odiar tanto uma pessoa ao mesmo tempo
porque de alguma forma, fica pairando sobre nossas cabeças
as agruras e doçuras
e quando te olho
não sei mais

esses laços eternos parecem fitas
aliás tinha um conto chinês que se não me engano dizia
que toda pessoa nessa vida
a gente carregava com uma fita
e que não importava quantos caminhos cruzassem nem quantas pessoas conhecessem
esse laço era a história que ainda ficava

mas e quando esse laço não pode ser dissipado nem levado pra longe e nem descruzado?
e quando se quer e não quer ao mesmo tempo que ele seja e não seja?
e quando ele é eterno mesmo sem conto chinês porque a vida lhe colocou o nome
família?

esse fio vermelho do destino
me corrói até a alma
me corrompe as artérias
e me bombeia de algo que não sei o que seja

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